Em 2024, os golpes bancários atingiram níveis alarmantes no Brasil, afetando diretamente mais de 36% da população, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Esse número revela uma realidade preocupante: milhões de brasileiros viram suas finanças ameaçadas por fraudes cada vez mais sofisticadas, que exploram avanços tecnológicos e brechas na conscientização digital dos usuários.
- O Avanço dos Golpes Bancários no Brasil
- Impacto Financeiro: A Dimensão Bilionária dos Golpes
- Top 5 Golpes Bancários Mais Comuns em 2024
- Quem São as Principais Vítimas?
- Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias Digitais
- O Papel Ativo da Polícia Federal
- O Que os Bancos Estão Fazendo para Proteger Você
- 7 Dicas Essenciais para Evitar Golpes Bancários
- O Futuro da Segurança Bancária Digital
- Conclusão
Impacto Financeiro: A Dimensão Bilionária dos Golpes
As fraudes bancárias geraram um prejuízo de R$ 10,1 bilhões apenas em 2024 — um salto de 17% em relação a 2023, quando o total foi de R$ 8,6 bilhões. Isaac Sidney, presidente da Febraban, destacou que os principais alvos dos golpistas foram os canais eletrônicos e cartões de débito, responsáveis por cerca de R$ 10 bilhões em perdas acumuladas nos últimos dois anos.
Um dado que chama atenção é o aumento de 43% nas fraudes via Pix, que causaram perdas de R$ 2,7 bilhões entre 2023 e 2024. A velocidade com que os criminosos se adaptaram ao sistema de pagamento instantâneo transformou sua praticidade em uma verdadeira armadilha para os consumidores menos atentos.
Top 5 Golpes Bancários Mais Comuns em 2024
De acordo com a Febraban, estas foram as principais modalidades de fraudes bancárias em 2024:
- Clonagem ou Troca de Cartão (44%)
Mesmo com os avanços em segurança digital, esse golpe lidera o ranking. Os golpistas utilizam dispositivos para capturar dados em caixas eletrônicos ou trocam fisicamente os cartões das vítimas durante interações presenciais, simulando falhas no sistema. - Falsa Central de Cartões (32%)
Os criminosos se passam por atendentes bancários, alegam transações suspeitas e convencem a vítima a entregar o cartão e a senha, frequentemente enviando um falso funcionário para buscar os itens em domicílio. - Pedidos de Dinheiro via WhatsApp (31%)
Essa fraude cresceu vertiginosamente. Hackers invadem ou clonam contas do aplicativo e, se passando pela vítima, solicitam transferências via Pix, explorando o senso de urgência de amigos e familiares. - Falso Suporte Técnico Bancário
Neste golpe, os fraudadores simulam contato do banco para alertar sobre acessos suspeitos e induzem o cliente a instalar aplicativos de acesso remoto, que, na verdade, dão controle total do celular aos criminosos. - QR Codes Fraudulentos
A popularização do Pix trouxe um novo risco: QR codes falsos colados sobre os originais ou inseridos em boletos e sites clonados, redirecionando os pagamentos para contas dos fraudadores.
Quem São as Principais Vítimas?
Idosos com mais de 60 anos seguem como o grupo mais vulnerável, devido à menor familiaridade com ambientes digitais. No entanto, em 2024, os dados mostraram um aumento de vítimas em todas as faixas etárias, inclusive entre os mais jovens — o que evidencia a complexidade dos novos golpes.
Regiões metropolitanas e capitais lideram as ocorrências, reflexo da maior concentração de transações digitais nesses centros.
Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias Digitais: Uma Resposta Concreta
Diante da escalada das fraudes, o Ministério da Justiça e a Febraban lançaram em fevereiro de 2025 a Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias Digitais. O projeto une esforços públicos e privados para frear o avanço dos crimes cibernéticos financeiros, atuando em três frentes principais:
- Campanhas de Prevenção e Conscientização
Grupos especializados elaboram materiais educativos com foco na segurança de identidade e nos cuidados ao abrir contas digitais. - Integração de Dados e Inteligência
A iniciativa fortalece a Plataforma Tentáculos — já responsável por mais de 200 operações, 445 mandados e 85 prisões —, promovendo o compartilhamento estratégico de informações entre bancos e Polícia Federal. - Atendimento às Vítimas e Treinamento de Profissionais
A Aliança trabalha para padronizar o atendimento nas delegacias e capacitar bancários e agentes financeiros na identificação precoce de fraudes.
O Papel Ativo da Polícia Federal
A Polícia Federal intensificou sua atuação no combate a crimes cibernéticos, com mais de mil operações realizadas em 2024 — um crescimento expressivo em comparação às 300 ações de 2022. Além da cooperação com a Febraban, a PF tem investido em tecnologias próprias e na formação de unidades especializadas nas principais capitais do país.
O Que os Bancos Estão Fazendo para Proteger Você
Em resposta à ameaça crescente, os bancos brasileiros destinaram R$ 3,5 bilhões à segurança digital em 2024 — um aumento de 25% em relação a 2023. Entre as medidas implementadas estão:
- Autenticação em múltiplos fatores para acesso às contas
- Inteligência artificial para detectar padrões suspeitos
- Limites personalizados por tipo de transação
- Criação de um laboratório de segurança cibernética compartilhado
- Treinamentos contínuos para identificação e resposta rápida a fraudes
O laboratório de segurança da Febraban, ativo desde 2020, tem se destacado como referência nacional na formação de agentes bancários e no desenvolvimento de tecnologias antifraude.

7 Dicas Essenciais para Evitar Golpes Bancários
- Desconfie de contatos não solicitados: nenhum banco solicita senha ou dados sensíveis por telefone ou WhatsApp.
- Confirme ligações: desligue e ligue diretamente para os canais oficiais da instituição.
- Ative a autenticação em dois fatores: ela dificulta a invasão de contas e aplicativos.
- Verifique dados antes de transferir: confira nome, CPF ou CNPJ e dados bancários.
- Mantenha seus apps atualizados: as versões mais recentes corrigem falhas de segurança.
- Defina limites de transação: isso reduz o impacto em caso de fraude.
- Valide informações: nunca siga orientações recebidas sem consultar o banco por canais oficiais.
O Futuro da Segurança Bancária Digital
Especialistas preveem que os próximos anos trarão inovações em autenticação, como biometria comportamental e reconhecimento facial avançado. Ao mesmo tempo, os criminosos tendem a sofisticar seus métodos, impulsionados pela inteligência artificial.
A Aliança Nacional de Combate a Fraudes estabeleceu como meta reduzir em 30% as perdas financeiras com golpes até o final de 2026, apostando na combinação entre tecnologia, educação e cooperação institucional.
Conclusão
Os golpes bancários não afetam apenas contas bancárias — eles minam a confiança no sistema financeiro como um todo. O enfrentamento eficaz depende da ação conjunta de bancos, órgãos públicos e consumidores.
A criação da Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias Digitais representa um passo decisivo, mas seu sucesso exige comprometimento, execução técnica e adaptação constante às novas formas de ataque.
Como ressaltou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski: “A resposta mais eficiente à criminalidade digital é a que se dá com inteligência, capacidade técnica e implementação de medidas de prevenção, detecção e repressão.”
Essa batalha exige vigilância permanente. Com informação, prevenção e ação conjunta, é possível criar um ambiente digital mais seguro para todos os brasileiros.
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